domingo, 29 de maio de 2011

Jardim da Humanidade



Jardim da Humanidade


Ergue fraca a luz do luar, tímida a cada anoitecer.
O povo caminha, canta e se arrasta... e a vida segue
seu curso anormal, de quem venceu, de quem tombou,
da alma que chorou!

Sinto o cheiro da fumaça no ar, o ar que não  se
respira... que se enxerga, enquanto a cachaça escorre
pelos cantos dos olhos vermelhos e a boca amarga
já não sabe o que responder!

Lá se vai a exausta humanidade em marcha, ao som
de tambores de guerra, aos gritos e aos prantos ...
Cegos, indo de encontro à parede do tempo, vestidos
como reis abraçados ao caos e a agonia!

Eis  ainda a humanidade... cuspindo gelo, de olhar estéreo,
cumprindo o diálogo louco de risos estéricos, removendo
 fragâncias , tragando a punida  fumaça de amores incertos...
Sob rezas e salmos, caminha assim a humanidade aflita...
Cantando e sonhando para o Senhor do anoitecer!

Rita Albuquerque

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